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"Uma legislação adequada seria muito bem vinda"

ABÍLIO SILVA
Sócio fundador da Battery Doctors Ibérica
"Uma legislação adequada seria muito bem vinda"

Pode-se dizer que é o "pai" da Battery Doctors europeia, onde se assume como master da marca americana. Como surgiu este negócio? Era uma business opportunity na terra do tio Sam?
Quando descobri o negócio nos EUA era de facto uma business opportunity, sem consistência para ser apresentado na Europa como um franchising ou rede afiliada, apesar do inovador e fantástico sistema que apresentava.
O que fizemos foi repensar o negócio para um modelo mais europeu, com mais consistência, com maior proximidade do operador Battery Doctors e do cliente final. Fomos o primeiro país europeu a ter uma unidade piloto e a avançar para um formato de rede afiliada, o que nos permitiu sermos pioneiros, o país com mais experiência em todo espaço europeu e dar os passos iniciais a nível mundial.

Começou o negócio a nível ibérico. O factor proximidade/língua foi preponderante ou houve algo mais que o impeliu na escolha?
Iniciámos o negócio com os direitos só para Portugal. Como ao fim de dois anos já era perfeitamente visível que estávamos no caminho certo, foi-nos dada a oportunidade de uma expansão natural para Espanha que ainda não tinha à data qualquer distribuidor nacional ou mesmo operador regional.

Quais os principais entraves na fase de lançamento?
O desconhecimento é de facto um dos principais entraves, mas temos a vantagem de num dia podermos tornar um resíduo perigoso num produto 100% eficaz e de grande qualidade, o que não deixa ninguém indiferente. A vertente ambiental tem sido a nossa grande arma aliada.

Qual a receptividade quando se fala de recondicionamento? Nestes últimos anos também houve uma mudança de mentalidades?
A receptividade é muito boa e nota-se de facto que nos últimos anos houve uma mudança de mentalidades relativamente a este tipo de produtos: oferecem garantia idêntica ao dos novos, pelo factor preço – estão a comprar qualidade a baixo preço – e pelas as vantagens ambientais associadas, o que no nosso caso é evidente.

Desde que dê electrólise, qualquer bateria é passiva de ser recondicionada? O que impede que isso suceda?
Desde que dê ácido chumbo e que o problema seja sulfatação ou oxidação, a bateria é passível de tratamento segundo o método Battery Doctors.

Onde se processa o recondicionamento das baterias? E como?
O processo de recondicionamento é feito nas operações locais e na nossa operação central em Arruda dos Vinhos (zona norte de Lisboa), no caso das baterias de arranque. No caso das baterias de tracção utilizadas maioritariamente em equipamentos de movimentação de cargas, e onde nos deparamos com baterias de grandes dimensões (empilhadores, plataformas elevatórias, etc), os recondicionamentos são feitos, normalmente, em casa do cliente, salvo raras excepções – como as empresas de aluguer destes mesmos equipamentos que, pelo volume de trabalho, justifica levarem as baterias para a nossa operação central.

Onde - e como - é que se arranjam as baterias para recondicionar?
As baterias estão transversalmente em toda a sociedade. Recolhemos as baterias, maioritariamente, no mercado empresarial. Todas as empresas que tenham algum entendimento ambiental e que queiram reduzir custos têm em nós um aliado de peso.

Quais as vantagens do recondicionamento?
As vantagens são totais. A reutilização/recondicionamento através do nosso método deixa a bateria com qualidade igual à das baterias novas – e as taxas de rejeição demonstram isso mesmo –, por sensivelmente 60% do valor das mesmas, evitando que estas sejam destinadas à reciclagem prematuramente, o que é tremendo em termos ambientais.

O estado actual do negócio a nível da Península Ibérica corresponde às expectativas iniciais?
Em Portugal sim. Em Espanha estamos com um processo mais lento porque iniciámos a expansão com a estrutura em Portugal e já percebemos que tem de ser com estrutura local, e é isso que estamos a fazer neste momento.

Como evoluiu o negócio?
O Brasil foi uma evolução natural da divisão da Battery Doctors e, a nível mundial, a que mais contribuiu para a consolidação do conceito e do modelo de negócio. Estamos a começar! Apresentámos o negócio na feira de São Paulo (a maior da América Latina) em Junho passado e a adesão foi excelente: temos mais de 150 candidaturas a ser analisadas e amadurecidas de parte a parte. Instalámos a primeira unidade piloto em Florianópolis, no sul do Brasil (no estado de Santa Catarina), onde temos o primeiro master regional que, curiosamente, é um português que se encontra naquele mercado há mais de 10 anos. Tal é um garante de termos sucesso na parceria.
Em conclusão, estamos muito esperançados no mercado brasileiro e temos objectivos bastante ambiciosos.

Recebeu há pouco tempo a visita de Robert Monconduit, presidente da Protec International, a casa-mãe da marca e também fabricantes dos produtos que utilizam. Como correu esse encontro?
Ele ficou muito contente com o trabalho desenvolvido. Esteve na operação, visitou clientes e franchisados e a sua confiança na nossa equipa aumentou exponencialmente. Posso dizer que não há uma decisão estratégica a nível mundial em que não me consulte para trocarmos ideias. A nossa representação para a Europa surgiu já este ano e após alguma inércia dos antigos distribuidores que se encontram em Londres. Começámos a fazer os primeiros contactos e já temos interessados para a Grécia, Alemanha, Holanda, Bélgica e Chipre, apenas para mencionar uma parte.

A BD Ibérica está sempre à procura de parceiros?
Estamos a encetar contactos com possíveis futuros franchisados para todo o continente. Mas também continuamos activos no mercado à procura de parceiros de referência, como sucede com a Scania, Lidl, Groundforce, Renova, GAM, Jungheinrich, Baviera, entre outros.

Quem pode ser franchisado da Battery Doctors?
Tem de ser um empreendedor, com alguma apetência técnica mas certamente muito forte na vertente comercial. Tem de entender que este é um negócio cujo sucesso depende da nossa atitude no mercado, que não pode ser de modo algum passiva.
As empresas recebem-nos de braços abertos se lhes soubermos explicar o que fazemos e quais os benefícios associados à nossa actividade. O negócio funciona muito bem até mesmo numa situação de crise como a actual, em que todos queremos reduzir custos.

Que objectivos traçou para Portugal?
Temos o objectivo de atingir os 30 franchisados em 2011, se penetrarmos no mercado empresarial com muito mais força através de parcerias com empresas que necessitem dos nossos serviços e sermos bastante activos ambientalmente, pois, sendo uma empresa pioneira na Europa neste sector, teremos que nos fazer ver e ouvir. Uma legislação adequada seria muito bem vinda para o consumidor final, para nós e o meio ambiente agradeceria seguramente.

Versão integral desta entrevista é publicada na próxima edição da AUTO PROFISSIONAL, disponível no início de Outubro.


Biografia
Licenciado em Economia, com um master em Marketing, Abílio Silva começou a sua carreira em 1989, na KPMG Peat Marwick. Foi Operations Manager na Mars International, Director de Operações do Grupo Mello, Director Comercial da FS Ribeiro, com as marcas Armani, Façonnable, D&G.
Em 1999 tornou-se sócio-fundador da Globser, ocupando, desde 2005, o mesmo cargo na Battery Doctors Ibéria e, dois anos volvidos, na Globser Brasil.


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