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Um traço brasileiro no design da web.




Nascido em uma família de arquitetos, Felipe Memória tornou-se figura influente numa das agências interativas mais badaladas do mundo.

Ao chegar ao escritório da Huge no Brooklyn, em Nova York, o designer carioca Felipe Memória levou um susto quando um cachorro se lançou contra ele. Era um dos animais de estimação que os funcionários de uma das maiores agências digitais do mundo levam para o trabalho de vez em quando, seguindo a descontração que já virou regra nas empresas criativas.

Longe do estereótipo dos garotos de camiseta que fazem dinheiro na rede flertando com o ócio criativo, Memória demorou um pouco para se enturmar. Mas, quatro anos após aquele outono de 2007, já responde como um dos sete sócios da badalada agência interativa. Depois de importar talentos brasileiros, ele agora abre uma filial no Rio, a terceira depois das de Los Angeles e Londres.

O brasileiro é uma referência nos Estados Unidos quando o assunto é design estratégico digital com foco na chamada User Experience (UX), que relaciona facilidade de uso e eficiência de produtos interativos na rede. Aos 34 anos, metido numa camisa social por dentro da calça jeans ajustada num convencional cinto marrom, ele conta que chegou lá como um workaholic assumido. "Quanto ganhei a oportunidade na Huge, fui com a faca no dente. Mergulhei nos projetos e vi os resultados antes do que esperava", conta o designer em entrevista ao Estado durante sua última passagem pelo Brasil.

Nascido numa família de arquitetos (é bisneto de Archimedes Memória, criador de cartões-postais do Rio como o Jockey Clube e a sede do Botafogo), ele acabou reencontrando a vocação do clã na rede. Inimigo de sites complexos demais, se vê como um arquiteto virtual, que cria formas agradáveis para conduzir o usuário a um bom conteúdo.

Experiência. Memória já chamava a atenção na incipiente internet brasileira como um dos primeiros a falar em web 2.0 num livro escrito aos 26 anos, mas marcou seu gol de placa ao idealizar o globoesporte.com, em 2003. Quatro anos depois, mesmo com a vida ganha na Globo.com e dando aulas na mesma PUC-Rio onde cursou design após uma frustrada passagem pela engenharia, quis arriscar mais. "Decidi ter uma experiência nos Estados Unidos, onde a internet acontece", conta.

Quando um amigo lhe apresentou o site da Huge, ficou hipnotizado: "Era exatamente o que eu queria fazer", lembra o designer. O fator sorte surgiu quando descobriu que um dos sócios da Huge, Gene Liebel, casado com uma brasileira, passava férias num prédio vizinho ao casarão em que Memória cresceu, em Ipanema. Acabou contratado num botequim.

"Felipe tem grandes ideias para os negócios e as expressa como desenha. Não cria preocupado apenas em fazer algo bonito. Ele quer transformar. E é isso o que a Huge faz", diz Liebel, que gostou até quando alguém o advertiu que Memória poderia se revelar um tanto teimoso. "Grandes produtos ou experiências não requerem só talento, mas muita vontade e persistência."

Fundada em 1999, a Huge não é uma agência de publicidade. É uma empresa de designers que investigam o negócio dos clientes num processo coletivo que vai das pesquisas à criação e à execução de algo novo que começa e se esgota na internet. A empresa não revela faturamento. Uma medida do seu crescimento nos últimos anos está no aumento do número de profissionais, que passou de 60, em 2007, para os atuais 400 em plena crise financeira.

Um dos primeiros clientes da Huge foi a rede sueca Ikea, um ícone do design para casa. O portfólio tem ainda os sites dos canais de TV CNN e HBO, da varejista Target, da aérea JetBlue e dos restaurantes Pizza Hut. Há também plataformas promocionais como o projeto Pepsi Refresh. Num site criado pela Huge, a marca de refrigerantes fez sucesso trocando prêmios em dinheiro por ideias de ações sociais votadas por internautas americanos. Atraiu em redes sociais mais de 2,6 milhões de visitantes só no lançamento, no início de 2010, e ajudou a marca a saltar do 16° para o 5° lugar no ranking das mais admiradas da Forbes.

Esse projeto teve muito do trabalho de Memória, que acabou na lista de cinco talentos-chave da agência alçados à condição de sócio em 2010 na reestruturação provocada pela saída de dois dos quatro fundadores após a aquisição de parte da empresa pelo conglomerado de comunicação Interpublic. Memória ganhou também carta branca para trazer outros brasileiros, que já são 10% dos funcionários da Huge - 25 estão no escritório do Rio. Para liderar o time, recrutou o amigo Eduardo Torres, que conhecera na equipe que aprimorou o site das primeiras edições do Big Brother Brasil, na Globo.com.

Torres estava dirigindo a unidade de negócios australiana do Yahoo quando recebeu o convite do ex-colega. Agora não esconde a ansiedade para conquistar clientes. "Nosso desafio é explorar esse potencial no Brasil", diz Torres.

Assim como chegou a Los Angeles para atender a Disney e à Europa para ficar próximo da Ikea, a Huge veio para o Brasil a reboque da conta de uma grande empresa nacional, cujo nome os executivos não revelam. Além do esforço no Brasil em vista dos eventos esportivos, a agência reforça as atividades em Londres, que sediará a Olimpíada de 2012. Há ainda planos de chegar à Ásia, mas ainda sem definição.

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