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Lojas em postos de gasolina chamam a atenção das grandes redes.


Conforto, praticidade e variedade. Esses são os principais motivos pelos quais as lojas de conveniência têm ganhado cada vez mais unidades pelo país.

De olho nesse crescimento, grandes redes de food service como Bob’s, Spoleto e Casa do Pão de Queijo, ou até empresas que nada teriam a ver com o conceito inicial de “conveniência”, aproveitam a proximidade do público para alavancar negócios, caso da CVC, da Americanas Express e 5 à Sec.

Além das lojas das próprias distribuidoras de combustíveis como a BR Mania, da Petrobras, e a AM / PM, da Ipiranga, a associação com marcas famosas parece agradar tanto aos donos das lojas e aos consumidores, quanto aos proprietários dos postos. Segundo informações da Associação Brasileira de Franchising do Rio de Janeiro, os postos de combustíveis realizam 2,5 bilhões de operações de abastecimento por ano, com faturamento de mais de R$ 162 bilhões. Quando esses estabelecimentos passam a agregar em seus espaços lojas de conveniência, o resultado pode ser entre 15% e 30% maior.

Criada na década de 1920, nos Estados Unidos, a loja de conveniência foi rapidamente aceita pelo consumidor, que se sentiu atraído pela facilidade de encontrar produtos em horários e espaços fora do varejo tradicional. Hoje no Brasil existem cerca de seis mil lojas desse tipo, o equivalente a uma presença em 17% dos postos do país. Número que deve crescer rapidamente em vista aos investimentos que estão sendo feitos no canal.

Tendências e novidades
“Esse mercado está muito prestigiado e seguindo tendências que não eram esperadas, como a de servir almoço e jantar, o que tem sido o maior investimento das grandes redes”, afirma Luiz Felizardo Barroso, autor do livro “Conveniência & Franchising – O canal do varejo contemporâneo. Franquia de postos de serviços”, em entrevista ao Mundo do Lojas de conveniência atraem grandes marcasMarketing.

Investindo nessa tendência, está o Spoleto. A rede de fast food italiano possui seis unidades localizadas em postos de combustíveis do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Brasília. “As pessoas procuram ambientes mais tranquilos com benefícios, como chegar rápido e estacionamento, o que muitas vezes é mais fácil de encontrar em postos do que em shoppings”, afirma Renata Rouchou, Diretora de Expansão da Umbria dona das marcas Spoleto e Domino’s Brasil.

Para estar mais acessível ao consumidor, a rede adaptou seus serviços para os espaços das conveniências. Com cerca de 15m² a menos que as unidades tradicionais, as novas lojas não trabalham com a frigideira que os consumidores do Spoleto estão acostumados. Nesse caso, os ingredientes combinados pelo cliente vão ao forno e são gratinados. “Além do custo reduzido, também evitamos o uso do gás no ambiente perto de combustíveis”, explica a executiva.

Localização é fator importante
O lucro nesses pontos-de-venda é menor do que em shoppings, mesmo assim é satisfatório e até surpreendente para a rede que espera estar em 5% das lojas de conveniência de todo o Brasil em cinco anos. “Nossa primeira loja em postos de gasolina começou vendendo R$ 80 mil mensais. Hoje, ela empata com unidades de shoppings, lucrando R$ 100 mil”, exemplifica Renata.

Algumas das unidades do Spoleto estão presentes em “pracinhas” de alimentação nos postos de gasolina. Nos locais com 50 lugares, alguns cafés e redes se juntam em versões menores para oferecer seus produtos aos consumidores. Nesse ambiente, também se encontram algumas lojas do Bob’s. Presente em postos de gasolina desde 1997, a rede possui 53 unidades neste formato.

Lojas de conveniência atraem grandes marcas. “Investimos no segmento porque identificamos nos postos a oportunidade de ampliarmos nossa atuação em pontos muito bem localizados”, explica Flávio Maia, Diretor de Desenvolvimento e Franquias da BFFC, controladora da rede de fast food. Pensando ainda em facilidade, principal atrativo dos pontos de conveniência, o Bob’s criou o BExpress by Bob’s, que oferece sanduíches prontos e semiprontos para serem aquecidos na hora.

Além do Food Service
Com 12 unidades do serviço recém-criado espalhadas pelo Rio de Janeiro, a rede fechou ainda negócio com a Shell, que garante exclusividade do serviço em postos da empresa até o fim do ano que vem. Especialmente para ficarem dentro das lojas de conveniência, o BExpress em formato de “torre” facilita o trabalho nos espaços. “Investimos nesse segmento porque o retorno que temos é muito grande. Nossa análise mostra que o Bob’s é responsável por 50% das vendas nas lojas em que está presente”, completa Maia.

Embora o Food Service seja a categoria que traga o maior lucro para os postos de combustíveis, empresas de outros ramos também investem em pontos-de-venda nesses locais. É o caso da CVC. A operadora de turismo presente em shoppings e hipermercados abriu sua primeira unidade de conveniência há três meses. Lojas de conveniência atraem grandes marcas

“Além de atrativos como conforto e segurança, essas lojas são vistas 24 horas por dia e funcionam fora dos horários convencionais”, afirma Rodermil Pizzo, Gerente da CVC e idealizador do projeto que já conta com mais duas outras unidades e deve ganhar outras 10 em breve. “Os resultados obtidos na nossa primeira unidade em um posto foram melhores do que as dos shoppings”, conta Pizzo.

Regularização do setor
Apesar de chamar a atenção do mercado, especialistas garantem que esse segmento ainda engatinha no Brasil. Segundo dados da Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes), enquanto as lojas de conveniência estão presentes em 17% dos postos brasileiros, nos Estados Unidos esse número chega a quase 100%. “Mas não precisamos ir tão longe, na Argentina e no Chile a conveniência está presente em cerca de 50% dos postos”, afirma Flávio Franceschetti, consultor do Sindicom.

Os hábitos dos brasileiros, porém, devem modificar essa realidade. “Estamos alcançando os mesmos índices que os europeus quando o assunto é fazer refeição fora de casa, o que é um benefício para o nosso setor”, completa Renata Rouchou, do Spoleto.

Tendo em vista o crescimento do setor, o mercado busca a profissionalização, a excelência de seus serviços e a seu reconhecimento como um canal diferenciado. Sob as regras que regem o varejo em geral, as lojas de conveniência buscam que o segmento seja especificamente regulamentado. “Isso daria mais status às lojas, já que aquilo que ganha uma lei sempre passa a ter mais importância para a sociedade”, completa Felizardo Barroso.

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