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Novos shoppings estarão bem longe das capitais.

Com dois anos e sócios de peso, a Vértico já anunciou seis shoppings no interior e vendeu um deles por R$ 146 milhões


De nome ainda desconhecido no mercado, mas com sobrenomes de peso na lista de acionistas, a desenvolvedora de shoppings Vértico é uma novata perto de seus concorrentes. A empresa paulistana surgiu há dois anos ao apostar num negócio que já esteve nas mãos do fundo americano Carlyle, mas micou durante a crise financeira mundial.

Em 2008, quando fechararn o escritário no BrasiL os investidores estrangeiros desistiram da ideia de construir um mega shopping em Bauru, próximo a urna das principais avenidas da cidade. Ao saber que o projeto estava sem dono, o empresário Marcelo Sabino ─ que havia acabado de registrar no currículo uma breve passagem por uma empresa do setor ─ decidiu levar o empreendimento adiante e tratou de reunir em torno dele um grupo de sócios que lhe desse suporte.

Conseguiu. Basta dizer que entre os cinco acionistas estão Bruno Setubal, herdeiro do Itaú, e Paulo Torre, herdeiro da construtora Wtorre, que também tem sua parte negócio. Com dois anos no mercado, a Vértico ainda não colocou seu site no ar, mas já anunciou seis projetos de novos shoppings, com investimentos de R$ 500 milhões, que começarão a ser inaugurados a partir do ano que vem ─ todos em cidades do interior do País.



Projeto do Shopping Nações em Bauru


O de Bauru, embrião do negócio é o primeiro caso de sucesso do portfólio da empresa. Na última sexta-feira, a Vértico concretizou a venda 75% do Shopping das Nações, já em obras, para a Aliansce, uma das líderes em administração de shopping centers no País. O empreendimento de Bauru foi o único do portfólio da novata que atraiu a atenção da companhia. "Os outros são em cidades muito menores que, pelo porte, não fazem sentido pra gente", afirma Paula Fonseca, diretora jurídica da Aliansce, companhia de capital aberto que tem baseado sua expansão na compra de shoppings em desenvolvimento.

A empresa vai assumir a comercialização e administração do shopping de Bauru após a inauguração, prevista para outubro de 2012. O empreendimento já teve 70% de seu espaço locado para redes como Renner, C&A, Pernambucanas, Marisa, Ponto Frio e Magazine Luiza. Quem toca a construção é a WTorre.

Ao se desfazer do shopping que deu origem ao negócio, a Vértico passa a se dedicar exclusivamente a projetos voltados para cidades menores, de 100 mil a 200 mil habitantes (Bauru tem 400 mil). "Somos a única empresa do Brasil focada em erguer shoppings no interior", diz Sabino. A estratégia vai ao encontro de uma tendência recente do setor, que tem optado pela "interiorização" dos projetos. Mais da metade dos 55 empreendimentos previstos para serem inaugurados no País entre este ano e o próximo está fora das capitais. "É um movimento natural, que acompanha o crescimento econômico das cidades médias", diz Adriana Colloca, superintendente de operações da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Interior
Os shoppings da Vértico seguem todos o mesmo padrão: estacionamento externo, dois pavimentos, com até 30 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), mas com terreno para dobrar de tamanho. Por enquanto, a empresa tem projetos em Cotia (SP), Limeira (SP), Três Lagoas (MS), Araguaína (TO) e Sinope (MT).

Marcelo Sabino, idealizador do negócio, é o sócio que viaja, prospecta terrenos, faz contato com prefeituras e empresários locais. Dante Cobucci, ex-WTorre, cuida das questões jurídicas e institucionais. Marcio Costa é o executivo de marketing, com a missão de convencer principalmente os grandes varejistas a desembarcarem em cidades até pouco tempo improváveis em seu mapa de atuação. Sem experiência no ramo imobiliário, ele já atuou em multinacionais do setor de alimentos e trouxe marcas famosas para o Brasil, como a Maybelline, de maquiagem, e a Ducati, de motos.

Os três ─ Marcelo, Dante e Marcio ─ dividem diariamente a mesma sala, no escritório do bairro Itaim Bibi, onde trabalham mais 11 funcionários. Setubal e Torre revezam a quarta mesa da sala, onde "dão expediente" ao menos uma vez por semana. Eles se definem como sócios investidores que participam do planejamento estratégico da empresa.

A Vértico não é o principal negócio da dupla de herdeiros. Setubal, de 30 anos, tem a empresa Vista Tecnologia que, em parceria com a Itautec, presta serviço de tecnologia predial e telefonia para grandes construtoras. Além disso, ele é sócio de uma pizzaria em São Paulo, diretor comercial da revista de música Billboard do Brasil e investe numa empresa de cinema e teatro.

Torre, aos 29 anos, também toca seu próprio negócio. Ele é sócio e diretor executivo da Innova, empresa hoje independente mas que foi criada há seis anos como um braço da construtora WTorre para gestão de ativos imobiliários. Em paralelo, trouxe para o Brasil a rede de restaurantes Serafina, de Nova York.

Embora seja o mais jovem dos sócios, o filho de Walter Torre é também o que aparenta ter mais experiência no mercado imobiliário. Ele começou a trabalhar na empresa da família quando terminou a faculdade de administração. "Sempre vivi isso em casa e até hoje tenho um link muito forte com meu pai", conta, com a resistência de quem quer se desvincular do título de herdeiro.

No mercado, a ausência de sócios com décadas de expenência no setor de shoppings, o pouco tempo da empresa e o número de projetos que ela já conseguiu desenvolver intrigam concorrentes. "É um currículo de genérica", definiu maliciosamente um executivo do setor.

Para evitar comentários desse tipo, a discrição dos os em relação aos sobrenomes por trás da empresa é visível. Torre e Setubal aparecem em momentos estratégicos. Na maior parte do tempo, a empresa se esforça para ser, literalmente, uma "sociedade anônima".


Fonte: O Estado de S. Paulo - Data: 01/08/2011

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