Notícias

Mercado especula com novo polo de escritórios na Chucri Zaidan, em SP

Plano apresentado à prefeitura prevê 872 mil m2 até 2016: o dobro de toda a avenida Paulista.

Empreiteiras têm projetos prontos e fila de clientes; estimativa é de R$ 700 milhões em aluguéis por ano.


A extensão da avenida Chucri Zaidan, Morumbi, na zona sul de São Paulo, pode se tomar o maior polo de escritórios da cidade: os 872 mil m2 existentes até 2016 serão o dobro da oferta da av. Paulista e 40% superiores à da Faria Lima.


avenida Chucri Zaidan, na zona sul de São Paulo



A projeção é da consultoria imobiliária Jones Lang La Salle. Serão ao menos R$ 700 milhões de aluguel ao ano, pagos por bancos, seguradoras, farmacêuticas, teles, eletrônicas, montadoras e grupos de óleo e gás, que já indicaram interesse no local. As maiores construtoras do país já apresentaram propostas à prefeitura, que está a um passo de aprovar o novo distrito, segundo a Folha apurou, na área hoje ocupada por galpões e velhas fábricas.

A demanda é forte: a taxa de vacância do mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo encerrou junho em 5%, um dos patamares mais baixos desde 1988, segundo a CB Richard Ellis. A concentração financeira já migrou do centro histórico para a av. Paulista nos anos 1970 de lá para a Faria Lima nos anos 1990 e depois para a av. Berrini, da qual a Chucri Zaidan é uma extensão.

Incorporadoras e prefeitura prometem ruptura com o "modelo Faria Lima", que vinha dando o tom da expansão dos escritórios AAA. O modelo, criticado por urbanistas, engloba calçadas estreitas e longos quarteirões, térreos fechados aos público e poucas áreas verdes, e prédios de um só uso, o que inviabiliza circulação aos finais de semana e à noite. No atual Código de Obras, aprovado nos anos 1970, edifícios tem de ter recuo de cinco metros de rua, e o uso misto é desencorajado, o que transformou lojas e bares no térreo de torres de escritórios uma raridade.

Multiuso

Um dos projetos principais é o complexo de residências, escritórios e comércio da Odebrecht Realizações Imobiliária, que vai ocupar terreno de 82 mil m² na ex-fábrica de bicicletas Monark. Segundo Paulo Melo, diretor de incorporação, projetos de uso misto são mais valorizados.
Odair Senra, da Sinduscon-SP (sindicato da construção), diz que produtos desse tipo se tornam mais viáveis com o mercado aquecido. "As coisas mais complexas acabam acontecendo, saindo um pouco do feijão com arroz."

A Yuny Incorporadora tem dois projetos de uso misto na região. O mais adiantado deve começar a ser construído em 2012 num terreno de 13 mil metros quadrados e VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 500 milhões. Os seis primeiros andares terão salas comerciais de 35 m². Nessa base comum serão erguidas duas torres de 27 andares, uma comercial e outra residencial, com apartamentos de 50 m² a 100 m².

"As salas comerciais atraem investidores e pequenas empresas, e o prédio corporativo, grandes empresas. O residencial também é atraente para executivos jovens, que procuram apartamentos na região onde trabalham", diz Fábio Romano, diretor da Yuny.

Para valorizar o passeio e o pedestre, a prefeitura obrigou as construtoras a doar uma faixa de dois metros de largura na frente dos prédios. Mas um dos problemas na Operação Urbana Faria Lima, por exemplo, segundo urbanistas, é que a legislação exigia até a criação de bulevares ─ o que jamais foi feito.



Fonte: Folha de S. Paulo - Data: 28/07/2011



:: Voltar
av. senador casemiro da rocha, 609 cj 51 • saúde • cep 04047-001 • são paulo • sp
fone: +55.11.2276.0048 | 11.2577.1115 | 11.4562.1116 | (oi dub): 11.96656-0048